Beto caminhava todo dia pela praia desde cedo até a madrugada...
Nos fins de semana enquanto ele olhava pro horizonte aonde o sol se ia e vinha, as pessoas que nas cabanas se embriagavam ficava admirando aquele excêntrico rapaz.
Beto trajava camisa, calça, cabelos e barbas compridas. Sua roupa como sempre branca e no meio da sua camisa uma sigla Judeia: “YHWH”
Carregava com ele um “Bastão” o qual lhe dava um ar de “Profeta”
Tinha um olhar depressivo, me lembrava o olhar do “Kurt Cobain” e pelos estudantes de “História” que ali na praia faziam o uso de entorpecentes era apelidado de “Antônio Conselheiro”
Beto era em meios termos um “Beato” nunca o vi com drogas, álcool ou com mulheres, embora as mulheres achando engraçado toda vez que ele saía de casa em casa pregando que um dia ele brincaria com um Leão, enquanto estivesse com uma cobra venenosa na mão...
Para os homens que o conheciam, por inveja, ele era nada mais do que um “Louco”, já pras mulheres toda fez que ele abria a boca com sua bela dicção, ele era um “Cara Maravilhoso”.
Havia boatos inclusive que certas mulheres casadas tinham o fetiche de um dia pegar Beto na rua, levá-lo para a sua casa, dá banho nele, cortar sua barba e cabelos compridos e com ele fazer sexo, mas Beto era um cara discreto, quieto, um cara que se dava o respeito, mesmo quando conversava com mulheres casadas que com ele retratavam os seios...
Beto ficava sentado na areia da praia, observando tudo, com sua mão no queixo e um olhar que deixava ele um cara atraente, diria meio “Charmoso”
Caia uma folha no chão e ele com sua boa audição, ouvia muito bem, sentia a cada minuto uma nova vibração. Desde o Funk que tocava na praia, ele é claro, culto não gostava, mas se alegrava com uma música do Roberto Carlos que tocava no rádio.
Sabia diferenciar um bom som de uma polução sonora, era um cara de ideologias e contador de Histórias...
Levava sempre com ele um colírio descongestionante, que lhe dava mais o tom azul dos seus olhos, parecendo o de Jesus.
Pelo menos aquele que vemos nos panfletos da igreja católica.
Parecia estar gripado sempre, pelo fato de morar na rua, pois com seu nariz sempre estava a fungar.
Seu cabelo louro – Acobreado lisos por demais chamavam a atenção das cabeleireiras e dos travecos que frequentavam a praia de nudismo logo ao lado, ambos torciam para Beto ir pra tal praia pra vê-lo pelado, mas Beto era um cara orientado.
Gostava de doces e de salgados, era um cara bem tratado, todos daquela pequena vila lhe davam um pequeno trocado, em troca de algum trabalho.
Beto tinha um corpo conservado, largava seu bastão num canto e pegava um tubo na onda com sua prancha que ele mesmo projetou ecologicamente correto com madeira de Acácia.
E logo que voltava com sua prancha para a areia, largava sua prancha de lado e pegava de novo o seu bastão e ali fazia uma oração. Logo depois ia ao raso do mar e fazia um gesto de quem abriria o mar vermelho, afundando Faraó e seus cavalheiros.
Por isso que eu penso que realmente “Beto” era meio doidão, mas Raul também era quem sou eu para criticá-lo?
Sua voz era rouca, mas nele não havia odor, andava falando sozinho enquanto cheirava uma flor.
Sua cor era bronzeada, mas creio que era da cor branca, pois nele havia traços europeus.
Ele cantava o hino nacional, mas não era patriarca, com uma bandeira do Brasil andava pela rua e protestava.
Beto com sua ansiedade comia muitas as unhas, sentava e levantava parecendo assustado, toda vez olhava para os lados.
Parecia fugir de um fantasma dentro dele, no qual ele próprio não conhecia.
Com o tempo passando, adquiriu problemas de visão, um empresário sabendo do caso resolveu lhe dar uma seguridade, dono de uma ótica, viu que o problema dos olhos do Beto era grave, muitos graus, então lhe deu um óculos.
Beto educado apenas agradeceu, saiu solitário pela rua com uma nova visão, parecia o “John Lennon”.
Logo que os estudantes de História que faziam o uso de entorpecentes o avistaram, começaram a dar risadas de Beto, perguntando:
“Beto... Cadê sua Yoko Ono?"
E Beto muito tranqüilo, olhou para o espelho e apenas começou a sorrir.
Entre os estudantes, havia também um professor o qual sacaneou o jeito de Beto andar pelas ruas o imitando. Ao seu lado estava apenas uma menina de Treze anos, a qual lhe sedia o seu corpo e carisma em troca de uma média melhor no seu boletim.
Beto sabendo de tudo e ao mesmo tempo não sabendo de nada, gritou ao grupo de “Historiadores”:
“Então professor, ainda não deu a nota pra sua aluna quieta e preferida, a Super-Dotada de apenas Treze anos?”
O grupo ficou pasmado tremenda sabedoria de Beto, o qual seguiu sua caminhada pela a “Praia solitária”...
O Professor casado não quis mais conversa. Pelo jeito a brisa do mar não batia legal naquele dia: Recebera e consumia uma Bomba! E que Bomba!
O professor ligou seu carro e seguiu o caminho de casa. Sua mulher estava com seus dois filhos gêmeos recém nascidos, pensando que ele deveria estar agora dando aulas a uma universidade federal, o qual ele tanto esnobava, mas na verdade o cara estava mesmo dando uma “Aula em particular...”
Beto se sentiu tão alegre com que disse que saiu pulando de alegria pela a “Praia Solitária”, as pessoas via e ria daquele engraçado rapaz.
Beto então noutro dia se encaminhou à escola pública daquela pequena cidade. Lá Beto varria a frente da escola em troca de livros. Gostava de ler, escrever e acima de tudo aprender. Ele não se importava com os moleques que faziam o ensino médio que nem mesmo sabiam a tabuada e paravam de ironizá-lo toda vez que Beto perguntava quanto era “8x7”!
Como dizia Mario Quintana: “O verdadeiro analfabeto não é aquele que não sabe ler, é aquele que sabe ler e não ler...”
Por isso Beto com sua raiz na veia lia os livros trabalhando, mente aberta, ás vezes agia com muito mais inteligência que muitos estudiosos do setor educacional.
Beto nascido em “Poá” não sentia falta de lá, agora ele estava num lugar que ele tranqüilo e feliz vivia a surfar...
Seu remédio estava na natureza, no cantar dos passarinhos, no azul do mar, na lua cheia a noite que pra ele era tempo de meditar...
Falava com os animais irracionais, eram seus amigos em tempos de aflitos.
A sociedade sempre comentava que Beto se comportava às vezes como um superdotado, e grande parte do tempo era um cara “Alienado...”
Pra ele não existia a violência, a impureza.
Olhava todo dia em direção ao céu, orava pra Deus, o único Deus o qual ele chamava de amigo e de “Jah...”
E realmente a paz com ele parecia estar nunca o vi brigar...
O que ninguém sabia apenas o narrador dessa Estória era que Beto tinha concluído sim todos os seus estudos.
Mas como ele foi parar na rua?
Ele foi traído pelos seus irmãos, parecendo José largado no Egito, seus irmãos lhe deram uma bebida “Boa Noite Cinderela...” e o largaram na “Praia Solitária...”
3000 km de distância eram do lugar que Beto e seus irmãos moravam. Seus irmãos fizeram o tal caso quando visitava a “Praia Solitária”
Chegando em “POÁ” seus irmãos falaram que Beto foi sequestrado e não tinha sido encontrado...
Quem reconheceria Beto com aquele cabelo e barbas compridas?
E Beto não queria voltar, estava feliz naquele novo lugar, mesmo sabendo do sofrimento dos seus pais que viviam a lamentar o sumiço daquele amado filho que todos os dias pra Deus pediam pra voltar.
Os irmãos de Beto mentiram para seus pais idosos que tinham botado a fotografia de Beto no caso de desaparecidos e cada um seguiu o seu caminho.
Beto tinha um jeito bipolar de ser, uma hora ria e outra hora chorava, vivia fazendo um sinal de quem carregava uma estaca.
Torturado pela mente sentia vontade de se suicidar, mas lembrava que a vida não era só aquilo e buscava algo para se levantar.
Lia a bíblia e refletia, sentia aquilo como uma medicina, viver num paraíso era o que ele mais queria.
Ele parecia uma “Testemunha de Jeová”, ele era o único daquela pequena vila que andava de casa em casa a pregar...
Provava na bíblia aquilo que vivia a falar...!
Desde a adolescência Beto já se mostrava ser um crítico: Ele não entendia porque a maioria dos Professores fazia greve, reclamavam tanto dos salários se a maioria deles fazia coisas erradas dentro das “Instituições de Ensino...”
Varias colegas de Beto conseguiam uma média melhor porque faziam coisas ilícitas com o diretor e professores da escola em que ele estudava.
Não era a toa que Beto reprovava, porque sobre os tais assuntos ele protestava...
Era um cara inteligente: Protestava usando indiretas através de apresentações em públicos e de letras Filosóficas.
A direção da escola o achavam estranho, Será que imitar a Jesus é demais para um humano?
A direção da escola o achavam estranho, Será que imitar a Jesus é demais para um humano?
Certo dia Beto ficou parado num canto, um senhor que tinha porte de arma pegou a sua arma, olhou para os lados, viu que não tinha ninguém e começou a atirar...
Beto deu seu último suspiro, de quem se lembrou daquela frase de Jesus:
“Eu te verei no Paraíso...” & morreu...!
O tal senhor que atirou em Beto nunca imaginou que o tal fato iria virar essa crônica e saiu tranqüilo andando pela a “Praia Solitária...”
Texto: Thetheu SaóH
Fim!